Waze, como a polícia pode evitar o mal uso do App, sem penalizar os usuários

Waze, para quem ainda não conhece, é um simpático App para Android e iPhone que cumpre a árdua tarefa de ser um Navegador GPS Social. E ao contrário de outros programas que forçam a barra para levar a etiqueta “social” na descrição, o Waze é extremamente competente nesta área, além de ser um ótimo Navegador (ou ele não faria sentido).

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Waze, um APP bacana que faz muito sucesso, só que com o público errado!

Junto aos comandos comuns de qualquer navegador GPS, o Waze possui uma área exclusiva para as conexões sociais, com botões grandes e opções fáceis que podem ser ativadas com um toque.
Assim, os usuários podem alertar os outros rapidamente sobre trânsito lento, acidentes, perigos na estrada, alterações climáticas e principalmente blitz! E é justamente esta parte das blitz vem causando um enorme burburinho na mídia e na polícia esta semana.

Diariamente policiais tem sido entrevistados e em tom de alerta máximo, avisam o perigo que é compartilhar a posição das blitz na rede social do Waze, pois isto alertaria também a bandidagem, que acabaria tomando outro caminho, fugindo da policia. Além disso, motoristas irresponsáveis que bebem até o fiofó ficar liso e depois querem sair dirigindo, estão usando o aplicativo com afinco, não apenas para se dar bem, como também para avisar outros bebuns.

Bom, vamos analisar primeiro a questão da Lei seca, que é na verdade a real preocupação das prefeituras e policiais, pois se todo mundo fugir da blitz eles não arrecadam. Sou terminantemente contra misturar qualquer quantidade que seja de álcool com volante. Terminantemente contra. É uma estupidez, e se você bebe e depois dirige, você é estúpido. Pare de ler meu blog e vá embora.

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Mas, culpar apenas o simpático App é na verdade uma estupides ainda maior, uma vez que praticamente todo mundo conhece os macetes para fugir das blitz. O Waze ou mesmo contas no twitter que avisam sobre blitz só tornam a fuga mais prática (ou seria moderna). Na verdade se você anda muito de carro, você acaba decorando os lugares onde elas geralmente estão. Policiais não são criativos, eles seguem manuais. Um bom exemplo é a Av. Pedro II em Belo horizonte. De que adianta uma blitz lá, se todo motorista irregular, bêbado ou não, anda pelas vias laterais alternativas. Muitos, estando ou não em situação irregular passam por ali por puro costume. Eu passo por ali determinados horários só para evitar ser parado e perder tempo, e faço o mesmo em diversos outros lugares que eu já sei que podem ter blitz. Conheço gente que dirigiu 30 anos! sem carteira e nunca foi parado, e não é nada demais se você conhece o caminho.
E é até compreensível, são dezenas de minutos preciosos e constrangedores que vão deixar seu dia um pouquinho pior. Não me entendam mal, sou a favor das blitz com certeza, mas que é chato é.

Quando eu era pequeno, minha casa ficava em uma rua de mão única, que aos domingos, por conta de uma feira, sempre era invadida na contra-mão por algum espertalhaço que achava mais prático se arriscar para chegar logo do outro lado. E era batata, todo domingo estava lá a blitz esperando por eles. Eu morria de rir no muro. Mas quem via a blitz ali uma vez nunca mais se arriscaria a passar por lá pois era de conhecimento até do reino mineral que aos domingos eles estariam lá, só esperando. Bem como estarão hoje em dia, em todos os pontos que costumam estar sempre, repetidamente, infinitamente, passivamente.

O ladrão, o bêbado, o mal intencionado, o mafioso com corpos no porta-malas não vai passar por estes lugares passíveis de fiscalização, a menos que seja tapado, e aí o Waze não adiantaria muito pra eles, então não vejo o App como este vilão que a polícia e a mídia querem pintar.

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Mr. Pink nunca seria pego em uma blitz

Tem também o caso dos furtos de carro. Segundo a polícia, informar a posição das blitz faz com que um marginal a evite, e assim possa fugir com o bem da vítima. Talvez até mesmo de alguém que postou a informação no Waze. Sim faz sentido, mas o problema é que a recuperação de carros roubados não pode ficar restrita a apenas torcer para que, depois de roubar o carro ou a moto, o ladrão resolva pegar uma das rotas conhecidas por terem blitz, e então se arriscar. Dificilmente isto acontece, e mais uma vez o Waze não pode ser responsabilizado. Quem rouba sabe bem por onde passa.

Em julho do ano passado, o carro do meu pai foi roubado nas imediações do BH Shopping, e ao se dirigir a delegacia, foi informado pelos prestativos policiais que de nada adiantaria saírem pelas ruas a procura do carro, pois o tempo levado para ele fazer a queixa já teria sido suficiente para o carro ser desmontado e vendido como peças.
WTF? É isto mesmo amigo, agora o jeito é rezar. O modelo do seu carro é muito visado, se fodeu.

O fato é que a polícia acha muito cômodo ficar a espreita como uma aranha, enquanto os bandidos e os bebuns vão caindo como moscas em suas teias, e oras bolas! O Waze e o Twitter querendo ou não estão atrapalhando o sistema.
Sendo assim, ao invés de se adaptar a nova realidade, querem que as pessoas parem de usar o programa (rsrsrsrsrs) ou então que preferencialmente ele seja proibido, o que de fato, deve realmente acontecer caso a campanha difamatória persista.

Mas o que pode ser feito afinal (sem muito esforço por favor)? Eu pensei por uns 30s e concluí que a melhor forma seria que os policiais entrassem na dança e começassem eles mesmos a participar do Waze, mas ao contrário. No próprio site do App explica:

Remoção de Relatórios
Ao dirigir com Waze, você pode comunicar eventos, tais como armadilhas da polícia, engarrafamentos, acidentes e perigos.
Alguns destes relatórios tornam-se irrelevantes depois de alguns minutos e se assim for, você pode denunciá-los como irrelevantes.

Como você pode fazer isso?
Fácil – ao dirigir com Waze, uma mensagem pop-up diz, por exemplo, “armadilha policial à frente em 300 metros”.
Quando você passar pelo local e ver o que de fato não há nenhuma armadilha policial lá, você pode clicar em “não está lá” – pressionando “não está lá”, subtraímos algum tempo do “ciclo de vida” do evento.

Se o número de usuários que utilizar a opção “não está lá” for maior, o evento vai desaparecer muito mais rápido em comparação com um evento que não foi relatado como irrelevante.

Atenção para a parte em negrito! Se a polícia, através dos próprios policiais começar a relatar que determinada blitz não existe, rapidamente ela será removida do mapa, tornando o alerta do usuário inócuo. No entanto não sabemos quanto tempo isto demora, e digamos que enquanto ela não some, vários meliantes se aproveitem para se informar. Outros usuários também podem acabar postando novamente a informação atrapalhando o esquema. Bem, neste caso, pensei numa nova solução, uma que inclusive foi o motivo deste post.

Meu bairro é um bom bairro, mas ele tem o grave problema de estar ao lado de uma via de acesso rápida, que te leva praticamente a qualquer lugar de BH ou imediações, o Anel Rodoviário. Sendo assim o roubo de carros e motos aqui é muito mais comum que qualquer outro tipo de crime, e pra piorar quanto mais o tempo passa, menos viaturas da polícia são vistas por aqui fazendo ronda.
Aqui no prédio, vários vizinhos antenados usam o Waze. Combinamos então que todas as noites passaríamos a postar que há uma blitz ou viatura parada na nossa rua. São cerca de 20 pessoas, declarando que a Puliça está na área!

Se os meliantes, não só ladrões, mas também bebuns estiverem realmente utilizando o APP, ficarão alertas para nossa rua, e evitarão não só passar por aqui mas principalmente cometer delitos na área.
É uma forma de utilizar o “maior problema” do APP como arma para ajudar a tornar a região mais segura.
A polícia também pode fazer isto, informando no Waze diversas blitz falsas em ruas próximas de onde a blitz de verdade realmente está! Certamente isto irá confundir os meliantes e bebuns deixando-os inseguros se realmente a polícia está ali ou não. Desculpem mas é genial, no mínimo inviabiliza o uso desta função de forma criminosa.

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E agora?

O difícil, no caso da comunidade, é manter as pessoas interessadas em informar todo dia, mas no caso da polícia, é bem mais simples, eles mesmos informam quando estiverem lá.

Sei que muita gente vai me odiar por estar atrapalhando o “esquema” de fugir das blitz, mas não posso deixar que um aplicativo tão legal acabe sendo proibido, porque alguns idiotas se acham no direito de arriscar a vida dos outros por conta de umas garrafas de cerveja.
Pode crer, dói mais em mim do que em vocês, só que não.

5 respostas para Waze, como a polícia pode evitar o mal uso do App, sem penalizar os usuários

  1. rtcoelho84 disse:

    Parabéns pelo post.
    Gostaria de pedir permissão para postar parte da matéria no blog não oficial do Waze, lhe darei todos os créditos e link para esta postagem.

    O blog é http://www.wazebr.com.br

    Ass: Rafael

    T+

  2. Flaviano disse:

    Acho que vocês dão muito crédito para a polícia. Só minha opinião……

  3. gilberto disse:

    O governo vai arrecadar menos dos otários dos brasileiros com esse app. Obrigado Waze. Pessoal informem!!! please!!!!

  4. Hiuri Farias disse:

    acho uma pena que você tenha parado de atualizar o blog, achei ele muito interessante!

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