Guloseimas da Minha Terra

Falando em ketchup (leia o post de baixo) acabei me lembrando da minha infância e das guloseimas deliciosas que eu consumia na casa de meus avós no período das férias.
Embora eu more hoje em Belo Horizonte, sou natural de Montes Claros (norte de Minas), e minha mãe e avós de Manga (também norte de Minas).

Posso não ter provado a maior parte destas delícias nos últimos tempos, mas com certeza o gostinho não sai da cabeça. Se você já tiver provado sabe bem o que estou falando! Se nunca nem ouviu falar das coisas descritas neste texto, não sabe o que está perdendo.

O quintal da casa de meus avós era (ainda é) enorme e a variedade de árvores que meu avô plantou lá ainda me impressiona. Goiabas,  laranjas e mangas de diversas qualidades infestavam o quintal, mas perdiam um pouco o brilho para outras frutas que cresciam por lá!

Umbu:

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O Umbu (nada a ver a com Ubuntu) é uma fruta bastante comum na região, e costuma ser vendida pelos garotos na rua. São usadas latas de óleo como unidade de medida!
É redonda e lisa, mais ou menos do tamanho de uma ameixa pequena. Quando verde, a poupa é ácida e lembra a maçã verde, possui um sabor bem azedinho que convida a transforma-la em suco. Quando amadurece no entanto, apresenta uma poupa suculenta e doce.

Sei que é comum pelo nordeste do Brasil, mas não vi o Umbu em nenhum outro lugar que não fosse por ali.

Seriguela:

seriguela

A seriguela, é a minha fruta preferida! Seu formato lembra uma azeitona pequena, e é muito doce. Come-se com casca e tudo, dispensando apenas a semente que também lembra a de uma azeitona.
A árvore é frondosa e bastante alta. Seus galhos convidam os moleques a se dependurar embora sejam fracos e não suportem muito peso.

Na casa de meu avô, o pé de seriguela ficava bem no fundo do quintal, e uma das brincadeiras preferidas entre eu e meus primos era apostar quem tinha coragem de ir no fundo do quintal buscar uma seriguela durante a noite. Ninguém nunca foi. O quintal era muito escuro e ainda sinto medo dele mesmo depois de velho.

Nunca consumi a seriguela de outra forma que não fosse “in natura” mas algumas pessoas usam para fazer suco ou doces.
Já vi algumas pessoas vendendo aqui em Belo Horizonte, no mercado central, mas não tinham boa aparência. É uma fruta muito delicada e o melhor é colher direto do pé.

Jamelão:

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Esta eu tive que pesquisar bastante para descobrir pois simplesmente não sabia o nome dela! Lá a chamam simplesmente de azeitona-preta, o que não está errado, mas o nome desta parente da azeitona verde é jamelão.

Ela possui um gosto adocicado e engraçado (segundo a Wikipédia: adstringente) que gruda um pouco na língua.

Pinha:

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Conheço muita gente que confunde a pinha com a fruta-do-conde e vice versa. Mas quando se saboreia as duas a diferença fica bem evidente.
A pinha de tão doce, parece que contém pequenos grãos de açúcar na sua poupa, e a semente se solta dela com facilidade.

Geralmente colhe-se ainda verde e embrulha-se com jornal para amadurecer em segurança pois, quando amadurece no pé ela pode rachar e se despedaçar, ou mesmo ser atacada por passarinhos que apreciam o gosto tanto quanto eu!

Pequi:

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Preciso dizer que eu simplesmente odeio pequi! Pequi é um fruto desenvolvido geneticamente nos laboratórios do demônio! Sério.
Não entendo como alguém pode se arriscar a comer (roer na verdade) um fruto cujos espinhos irão ocasionalmente dilacerar suas gengivas. Sim, pois o pequi nada mais é que uma castanha (saborosa devo admitir) recoberta com uma camada fatal de micro espinhos que, segundo contava meu avô, se entrarem em sua corrente sanguínea te matam. Não conhecemos ninguém que já morreu para provar.

Sobre os espinhos então está uma polpuda camada amarela de sabor muito peculiar a um cheiro, bem… inesquecível. Digamos que você encontra uma banca que vende pequi só com o nariz a partir de 200m de distância.

Embora eu não goste, comi muito pois minha avó cozinhava o pequi dentro do arroz e acabava soltando os pedacinhos. Mas realmente não sou fã.

Maxixe:

maxixe

Outra coisa que minha avó costumava cozinhar no arroz era o maxixe. Uma hortaliça parente do pepino, mas que possui como diferencial uns pequenos espinhos moles sobre a casca.

De todos os alimentos que citei acima, o maxixe é o mais comum de ser encontrado, e pode-se come-lo cozido com carne e/ou outros vegetais, ou mesmo no arroz como fazia minha avó.
Só não recomendo comer cru como pepino porque é ruim demais.

Buriti:

Mauritia

O buriti é um tipo de coqueiro bastante comum aqui em Minas, mas o que eu gosto dele é apenas o doce. Vendido em tijolos como a rapadura, o doce de buriti é uma iguaria altamente apreciada por este blogueiro Alegre.  Tem a vantagem de não ser enjoativo (pra quem gosta é claro) e se você não prestar atenção come um quilo sem esforço.

Bom! Esta conversa me deixou com fome. Se tiverem a oportunidade, experimentem! Exceto pelo pequi, garanto que irão gostar bastante de todas estas frutas e hortaliças.

2 respostas para Guloseimas da Minha Terra

  1. bruna disse:

    oi!sou do sul do piauí e posso afirmar a você que também cresci no quintal de minha avó,comendo frutas como goiba,manga,laranja,seriguela,tomarino e umbu!qndo vi a foto deu agua na boca!costumava encher uma xícara de sal e subir na arvore!empidurava a xicara em um galho e ali passava o dia inteiro a comer umbu em cima do pé!tenho saudades desses tempos!

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