Honda XRE 300 ABS

Andar de moto é como usar drogas. Você sabe que pode morrer, mas a cada dia que passa você quer mais e mais e mais.
Eu comecei a vida motociclística com uma 100zinha. Depois, 150cc, 125cc, 150cc de novo e agora piloto uma 300cc.
Embora na ocasião da compra da minha primeira moto, eu tivesse jurado a mim mesmo que nunca iria pilotar uma moto com mais de 125cc, com o passar do tempo, aumentei mentalmente o limite para 250cc, depois 300cc, e no dia que fui buscar a XRE me vi descaradamente sonhando com a Transalp 700cc. Tenho a sensação de que esta história não vai terminar por aqui.

XRE 300 com ABS

Quem lê aqui já sabe, não é um texto técnico. Para isto recomendo o Motonline ou Best raiders. Aqui são minhas impressões pessoais sobre a moto e nada mais.

SAI A BROS E ENTRA A XRE
AS DESCULPAS QUE INVENTEI OS MOTIVOS QUE ME LEVARAM A TROCAR DE MOTO DE NOVO

Primeiro: Você pode pegar a maior moto do mundo, você pode pegar uma GoldWing. No momento que se sentar nela você vai achar gigante, mas uma semana depois vai ficar pensando se não existe outra maior pois aquela já ficou pequena para você. Suas pernas que ficavam esticadas e confortáveis vão ficar incomodadas, e você terá algumas dores nas costas.
As ultrapassagens vão ficando cada vez mais complicadas e por fim você vai achar que até as lesmas andam mais que você.
Assim, embora a Bros tenha surpreendido no início. Depois de um tempo eu comecei a achar que um pouco mais de força e velocidade fariam bem.

Segundo: Embora eu seja apaixonado por motos, não sou nenhum exemplo de piloto. Minha tendência a sofrer acidentes comprova isto.
Não sendo então um poço de aptidão, tento compensar com o equipamento.
Eu tenho um trauma muito grande de freios a disco, pois eles já me fizeram beijar o chão algumas vezes. Hoje compreendo que nem é o freio em si, mas a péssima qualidade dos que equipavam minha Speed 150.
Tá bom, tá bom, 50% culpa deles e 50% minha culpa, alicatar o freio em situações de emergência é um esporte que pratico às vezes.

Quando fui comprar a Bros, cismei que era mais seguro comprar um modelo com freio a tambor, pois é mais difícil de travar as rodas com eles. E a estratégia deu certo. Nunca cai porque as rodas travaram!
Ou a Bros freia melhor que a Speed, ou eu estou aprendendo mesmo.
Maaas! Embora não trave com frequência as rodas, ela também não freia com a mesma eficiência quando precisa, e depois de alguns sustos percebi que era besteira. Numa situação de emergência, o que iria preferir? Travar as rodas ou travar os dentes na traseira de um caminhão?
Eu precisava de freios ABS se quisesse frear com segurança.
Um dia vou ter tempo pra fazer um curso de pilotagem, ou dinheiro sobrando para o caso de destruir uma moto nova tentando aprender a pilotar direito. Por enquanto, vou compensando com o melhor que a tecnologia tem a oferecer a pobres como eu.

Enfim, a XRE tinha tudo que eu precisava, mais potência, mais força, e principalmente freios melhores e mais seguros. Valeu a compra.

A COMPRA

Passei a BROS para um amigo meu e fui a concessionária comprar a XRE. Procurei primeiro na Otobai que é onde eu sempre comprei, e que fica mais próximo de minha casa. Porém o preço da Minas Motos estava melhor. Eu até tentei negociar na Otobai, mas eles não estavam a fim de vender… Acho que eu tenho cara de mendigo bêbado, quando digo de  estou interessado em comprar algo, os vendedores não me levam muito a sério. Fica a dica ai pessoal da Otobai. Smiley piscandosabe aquela história do livro, da capa?… então.

Bem, na Minas Motos antes de fechar negócio, a vendedora me perguntou se eu não estaria interessado numa peça que eles tinham no estoque modelo 2010/2011. R$ 1.800,00 mais barata!
O único problema era a cor. Não queria outra moto preta pois suja muito, mas era justamente a que estava no estoque.

Como sou mineiro e desconfiado, pedi para ver a moto, pois não queria correr o risco de comprar uma moto de test drive nem de demonstração ou devolvida por algum motivo qualquer. Mas estava tudo bem, era uma moto zero mesmo “na caixa” como se diz aqui.

Enfim, fechei negócio e voltei dois dias depois para buscar a moto. Aproveitei e deixei a BROS lá para fazer uma revisão antes de entregar para o meu amigo. Ela estava com 11.900km.

CHEIRO DE MOTO NOVA

Não tem como não comentar. Moto nova tem um cheiro diferente, um cheiro de metal quente. Como quando você esquenta uma faca no fogo. Foi pegar a moto, passar no posto para abastecer e ir direto pra casa mostrar a dona Walker.

Nos quilômetros que separam a concessionária da minha casa, fui bem tranquilo de forma a me adaptar a nova moto. A vibração do motor foi o que mais me chamou a atenção. Com a moto parada, segurando o guidom você se sente usando um daqueles aparelhos AB-Muscle-sei-lá-o-que de fazer musculação. Mas andando é só alegria.

A XRE é bem alta, mas ainda não passa por cima de todos os retrovisores do mercado, portanto tive que dar umas reboladas com ela para enfrentar o corredor. Se sai bem depois que acostumamos com o porte dela. O mais interessante é o fato da direção ser muito leve, já que o farol é fixo no quadro e não no guidom.

O banco é mais macio que o da BROS, mas não é aquele conforto descrito nas matérias que li. Rodando ai uns cento e poucos quilômetros já se sente a bunda doer.

Pra compensar a posição do guidom deixa a pilotagem bem agradável, com os braços relaxados e a coluna quase reta. O que incomoda bastante é o vento no peito. Nada que uma bolha não resolva. Logo abaixo eu falo disso.

Por fim o motor! Digo com toda humildade, é impossível amaciar uma moto de forma correta se for a primeira moto do tipo que você estiver pilotando. Sentado em cima dela com o motor pelando e roncando você se sente masculinamente obrigado a ver o “tanto” que a moto faz. E ela não decepciona. 130km/h foi o que pude apurar no velocímetro. Já depois da primeira revisão, faz um pouquinho a mais passando dos 140km/h. Na real deve ficar por volta dos 130km/h o máximo dela.
Uma coisa que senti muita falta foi de uma sexta marcha. A moto se esgoela depois dos 120km/h e diversas vezes levei o pé no pedal das marchas na esperança de que ainda estivesse de 4ª, e não estava.
Força ela tem de sobra, não engasga em nenhuma subida ou retomada, e dá muita segurança enquanto ultrapassa carros ou caminhões.

Dois pontos decepcionantes na XRE são as alavancas, comandos e pedais. Eles não trazem nada de novo, e olhando bem de perto você vê que são os mesmos da BROS. Um absurdo numa moto que custa o dobro.
O outro é o tanque! Sério, mesmo depois da primeira revisão não consegui fazer mais que 23km por litro. Ou seja o tanquinho de 12,5l mal chega a fazer 230km. Como é que eu vou viajar com uma moto destas?? Não as contas não estão erradas, porque as motos com injeção eletrônica da Honda não ficam muito contentes quando você anda na reserva. Elas costumam queimar a bomba de combustível que fica mergulhada no tanque. Ou seja, se a reserva é de 2,5l o máximo que você vai poder andar é com 10l, depois prepare-se para passar num posto e abastecer.

FREIOS ABS – A FORÇA ESTÁ COM ELES

Bom, eu não queria escrever este artigo sem antes testar a eficiência dos freios ABS. No início eu achei que iria ser fácil, pois não passa uma semana sem algum retardado me fechar ou frear de repente me obrigando a dar aquela freada gostosa mas, estranhamente após a compra da XRE não fui fechado uma única vez! Todos que se enfiaram em minha frente utilizaram corretamente o tempo e as setas, e ninguém me assustou parando do nada. Uma benção!

Até que nesta semana, aconteceu. Um tiozinho num fusquete, cortou um taxi na faixa. E ele obviamente meteu o pé no freio. Eu vinha logo atrás e meus instintos não falharam, meti a mão no freio com tudo.
Meu! É muito interessante, mas difícil de explicar. Imagine um choque sem a dor ou o incômodo. Ou um tranco para dentro da mão. Ou melhor, imagine que o cabo do freio se rompeu e emendou de novo em pentelhonésimo de segundo. Esta é a sensação do ABS na mão.
É muito rápido e não incomoda em nada. Você mete a mão e a moto para sem travar. Coisa linda de Deus.

Porém é preciso observar que mesmo com o C-ABS, a XRE mergulha muito a frente. Você precisa realmente estar preparado para mandar o corpo para trás, ou vai sair voando do banco. A suspensão é bem mole.

ACESSÓRIOS

Aqui em BH não temos os índices altíssimos de roubo de moto como em São Paulo (estamos chegando lá Paulistas imundos!!1), mas fico receoso de deixar a moto parada em qualquer lugar, ou mesmo na garagem. Eu não queria instalar um alarme nela por causa da garantia, e o da HONDA é muito caro. Então resolvi comprar uma trava de disco com alarme.

Funciona assim, quando você tranca ela no disco ela arma o alarme. Se alguém tocar na trava para corta-la ou balançar a moto, ela dispara uma sirene com mais ou menos 120 decibéis. Não é muito alto, mas já assusta e chama a atenção de quem estiver por perto.

O mais legal é que não é preciso instalar nada na moto. Fica tudo dentro da trava. O sistema, a bateria e o alto-falante.

O que eu comprei é da marca GO! Mas os melhores segundo pesquisei são da marca XENA. Aqui em BH todas as lojas que olhei estavam em falta, então comprei este da GO mesmo. Custou R$ 97,00.

 

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O segundo acessório que comprei foi o bauleto. O meu velho GIVI de 27l eu mandei de brinde com a BROS. E comprei outro de 33l da GIVI mesmo. Vocês podem ver na primeira foto do post.

É um bauleto leve e prático. Cabe minha roupa de chuva, e outras bugigangas que levo para trabalhar.

E por fim a bolha. Simplesmente não consigo mais viver sem ela. Ainda mais agora em Agosto quando está ventando pra caralho.
Na primeira semana já comprei a famigerada e instalei. Ela é da marca Motovisor, e no site deles achei horrível. Mas vendo ao vivo gostei bastante e acabei comprando.
Ela é bem menor do que aquele trombolho que instalei na BROS, e pra ser sincero só resolve metade do problema.
Deve desviar uns 70% do vento, mas boa parte dele vai pra cabeça. Na estrada, com o vento vindo de frente não vai te restar alternativa senão se curvar um pouco e se proteger. Mas a pilotagem de um modo geral fica bem melhor. Pessoas mais baixas não terão problemas.

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CONCLUSÃO

A moto é excelente. Recomendo.

Para quem gosta de viajar, ou enfrentar o trânsito do dia a dia com uma moto um pouco mais forte que as utilitárias, ou as pequenas on-off do mercado a XRE é uma escolha satisfatória.

Bonita e com um porte que chama a atenção sem castigar seus braços, a XRE atrai olhares por onde passa.

O motor é bem acertado mas fica devendo uma sexta marcha. Recomendo o uso da gasolina V-Power da Shell. Nunca me decepcionei com ela e ainda por cima custa mais barato que a comum da Petrobrás aqui em BH.

Os freios ABS são um sonho realizado, nunca terei outra moto sem eles.

É isso ai. Obrigado por ler.

7 respostas para Honda XRE 300 ABS

  1. Rafael Lage disse:

    Legal cara, deu uma ideia bem melhor, vou até a concessionária dar uma olhada.

    • TonyWalker disse:

      Valeu! Você vai gostar.
      Leia outras opiniões em outros sites, pessoas que comprar tem a tendência de achar o produto as mil maravilhas. Um olhar “de fora” vale a pena.😉

  2. Olemac disse:

    Muito legal seu Post, parabéns!

  3. igor disse:

    poxa valeu por postar

  4. Thiago disse:

    Massa seu post e bem engraçado! grande abs estou na luta pra trocar minha Tornado num XRE abs! vlws!

  5. Renan Spencer disse:

    Obrigado acabei de comprar a minha Versão abs 2011 0km por 3 mil a menos do que o modelo 2013! =)

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