Filmes: Cargo e Lunar – Ficção científica da boa

Eu cresci vendo Alien, Guerra nas estrelas, Blade Runner, e tantos outros que ficam no imaginário o resto de nossas vidas. Eles são, junto com alguns outros títulos de ficção científica os responsáveis pela minha paixão pelo cinema, mas representam um paradoxo. Uma vez que o homem está sempre a procura da felicidade ou de coisas que o faça se sentir melhor, é interessante notar que estes filmes nos cativem mesmo que no fundo, o que há neles seja uma alta dose de pessimismo quanto ao que nos reserva o futuro. A terra superlotada, naves espaciais procurando por novos planetas habitáveis, impérios galácticos que dominam a força todas as formas de vida, e etc…

São grandes aventuras, mas poucos deles envelheceram bem. Não são mais histórias que convenceriam uma criança de hoje. Estes filmes perderam a credibilidade por estarem situados numa realidade que não aconteceu, pincelada com muita fantasia, segundo eles já deveríamos estar vivendo hoje como os Jatsons, mas estamos mais para Flintstones. Acho que tiraria da lista apenas Blade Runner com seus Andróides já que, a atmosfera do filme ainda hoje inspira credibilidade. Em Blade Runner um futuro negro, com a china no comando nos aguarda. A cena final que é de uma beleza ímpar.

Eu vi coisas que vocês não acreditariam. Naves de ataque em chamas nas bordas de Orion. Eu vi Raios-C brilhando no escuro próximo ao portão de Tannhauser. Todos estes momentos, se perderão no tempo, como lágrimas na chuva. Hora de morrer.

Mas todas estas velharias nos ajudaram a ser quem somos hoje. Quem foi fã destes filmes no passado geralmente tem uma grande paixão pelo tema. E eu tenho!
Então eu estou sempre me perguntando o que exatamente os jovens nerds de hoje poderiam estar vendo,  de forma a despertar neles a curiosidade para com o futuro, o espaço e a ciência. E vez ou outra encontro um bom filme para responder a esta pergunta, com o diferencial de que os filmes de ficção de hoje trazem temas mais atualizados (2001 já passou tem nove anos).

O tema parece ser sempre o mesmo, a terra esgotou seus recursos e agora é hora e viajar pelo espaço em busca de outro planetinha azul para explorar. Dos velhos clássicos ficou o clima de pessimismo, e da nossa própria realidade a falta de confiança nas grandes corporações.

Hoje vou falar de dois: Cargo (Iden, 2009 – Suiça) dos diretores Ivan Engler e Ralph Etter, ainda sem data de lançamento no Brasil. E Lunar (Moon, 2009 – Inglaterra) de Duncan Jones. Nenhum dos dois pode ser classificados apenas como ficção, Moon é um drama e Cargo é um Triller, mas não fazem feio perto de seus irmãos mais velhos.

Iniciemos por Moon:

Lunar (Moon)

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Moon conta a história de Sam Bell (Sam Rockwell), um astronauta peão que mora a três anos numa estação chamada “Sarang” na lua, a trabalho para a corporação Lunar Industries.
Sua missão ali é extrair uma espécie de combustível limpo chamado helium-3 do solo lunar e enviá-lo a terra, sendo que ao fim deste período de três anos ele pode retornar para casa, onde o espera sua esposa e sua filha.

Na nave, Sam tem apenas a companhia do simpático robô GERTY, dublado por Kevin Spacey. Além de se comunicar por voz, GERTY tem uma tela frontal onde apresenta suas “emoções” através dos smiles, nossos conhecidos “carinhas”. Fora isto a única forma de contato com a terra são mensagens gravadas que ele recebe e envia ocasionalmente já que as comunicações com a terra em tempo real estão com problemas devido a defeitos em uma das torres de transmissão.

A história do filme se inicia justamente no fim do período de três anos, quando Sam esgotado física e mentalmente, já está preparando seu retorno. Ele começa a sofrer uma série de alucinações, e em uma das suas excursões fora da base com seu Thundertank trator-coletor lunar ele sofre um acidente ficando inconsciente.

Sam acorda na enfermaria e é informado que não deve deixar a base até que uma equipe da terra venha consertar os estragos, mas ele resolve sair mesmo assim e resgatar o trator batido. É então que ele encontra dentro do trator um outro astronauta que não é ninguém menos que ele mesmo. Sam traz o astronauta para base e começa a investigar o que está acontecendo, quem é aquele homem e porque são parecidos.

Contando com uma soberba interpretação de Sam Rockwell, o filme então passa a mostrar o relacionamento de um homem consigo mesmo. O primeiro no frescor da chegada, ainda empolgado pela missão e talvez ansioso em fugir das dificuldades domésticas e segundo, desgastado pelos três anos de solidão e pelos malefícios da vida no espaço.

O segredo do filme não é difícil de descobrir, na verdade ele é logo revelado quando Sam pergunta a GERTY sobre a natureza do acontecido, e então vamos acompanhando a descoberta destes dois seres que são na verdade, o mesmo, vistos de pontos de vista temporal diferentes através de um segredo que só a Lunar Industries conhece.

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Cargo (Cargo)

cargo Vindo diretamente da Suiça (não é Suécia mas serve), Cargo começa como um filme ecochato, fodemos com o planeta e agora vagamos pelo espaço amontoados como bois em velhos cargueiros. Exceto os felizardos e$colhido$ para viver em Rheah. Um planeta paraíso muito muito distante de onde se encontra Laura Portmann, a protagonista do filme.

Laura é médica e aceita um emprego na Kuiper Enterprises. Seu objetivo é conseguir bonu$-hora$ suficiente para ir viver com a irmã em Rheah, fácil! O difícil é que ela terá que passar os próximos oito anos numa nave de carga para conseguir a grana, o que pode deixar qualquer um maluco, como vimos no filme acima🙂 então para evitar este inconveniente a tripulação da nave faz uma espécie de rodízio. Um dos tripulantes fica de vigia por oito meses, enquanto os outros hibernam numa meleca verde até que eles cheguem finalmente ao destino, entreguem a carga e peguem a grana.

Além disso para aumentar a emoção, está ocorrendo uma onda de ataques terroristas (sim, eles ainda vivem em 2267) o que obriga que grandes naves levem a bordo um segurança especial do governo.

A problemática se inicia quando Laura está no meio de seu período de vigília. Ela escuta barulhos nos compartimentos de carga e uma “presença” parece a estar observando. Ela então resolve despertar o resto da tripulação para que investiguem não só a origem do distúrbio como também a natureza de sua misteriosa carga.

No meio bagunça, muitos sustos e surpresas sobre a verdadeira origem de Rheah, o paradisíaco planeta para onde Laura deseja tanto ir, do misteriosos oitavos passageiros e dos rebeldes terroristas que estão tocando fogo no mundo universo.

Não achei o trailer em inglês!

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Enfim, não são clássicos como Blade Runner mas cumprem bem o papel de entreter. Eu viajei com os dois.

Update> Enquanto publicava o texto recebi esta mensagem no twitter:

http://info.abril.com.br/noticias/ciencia/vida-sintetica-criada-pela-1a-vez-20052010-42.shl

Esqueçam os filmes. A vida real é muito mais legal!

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