Cinco minutos de terror

É fatal, todas as vezes que saio de casa e faço um serviço com o qual não ganho nada, acontece alguma coisa na seqüência que irá arruinar com meu dia/mês. É como se fosse um castigo por ter feito uma boa ação.

Como por exemplo no dia em que doei uma placa mãe novinha para o computador de um convento, e todos os computadores de um mesmo escritório pifaram por causa de uma descarga elétrica. Fiquei a noite toda por conta.
Também teve o dia em que por consideração a um cliente não cobrei pelo serviço, e ao voltar para casa cheio de júbilo escorreguei com a moto num amontoado de lixo na rua tomando o maior tombão.
Foram várias as vezes…

Bom, outro dia estava eu atendendo a um chamado num bairro cabuloso (onde só vou por caridade mesmo) quando percebo que iria chover, e forte. Pedi desculpas ao pessoal jurando voltar no dia seguinte e vazei, pois me lembrei claramente de ter visto a placa “Lugar sujeito a inundações em períodos de chuva forte” quando estava chegando.

Não andei nem um quilômetro quando a chuva caiu com força, muita força mesmo. Num primeiro momento não me importei, já estou acostumado a andar (e cair) na chuva, e já era hora de ver como a Bros se comportaria nestas condições. Mas em seguida um forte vento chegou atrapalhando terrivelmente a minha visibilidade.
Eu costumo passar um pouco de cera automotiva dentro da viseira do capacete pois evita que ela fique embaçada (um truque que aprendi testando vários produtos*). Naquele dia porém, parece que a cera já tinha perdido o efeito pois nem deixando um tiquinho de abertura na viseira ela ficava limpa. E se abrisse um pouco mais entrava água aos goles e eu nem conseguia respirar direito. Então fiquei no meio termo, meio molhado meio embaçado.

Alguns metros depois acabei ficando atrás de um caminhão que parecia se dirigir para o mesmo ponto que eu e comecei a segui-lo bem de perto, evitando assim pelo menos o vento com água na cara.
O caminhão realmente estava indo para a avenida principal, e fui seguindo-o de perto, até que percebi que a chuva iria ficar forte demais para mim e comecei procurar um lugar para parar, mas então alto terrível aconteceu. Como o caminhão é grande ele passa praticamente em qualquer lugar e assim, ele não parou quando viu que a avenida principal estava inundada. E atrás dele não vendo nada, pois descíamos uma ruazinha íngreme, só percebi quando estava com a água chegando no calcanhar. Bem no meio da avenida tinha um ribeirão “canalizado” que aquela altura do campeonato já estava mais que transbordando. E eu me vi ali, praticamente uma ilha humana com a cabeça a mil pensando: Hoje eu vou morrer! Pior, a moto vai sofrer um calço hidráulico e foder fundir com o motor instantaneamente a qualquer momento!!

Uma das coisas que sempre se recomenda a quem está numa enchente é que procure um lugar alto para se abrigar, mas muitas vezes este lugar simplesmente não existe! A água não respeita nada e vai subindo. Não tinha como voltar na contramão pois muitos carros tiveram a mesma idéia burra que o cara do caminhão e não dava para atravessar já que no meio tinha um rio. Também não podia pegar nenhuma rua lateral pois todas estavam tomadas pelas enxurradas embora olhando hoje para trás penso que talvez tivesse sido uma escolha melhor. Parar em frente a algum prédio ou casa e pedir para entrar foi um pensamento que me ocorreu mas bahh nós estamos na capital meu filho! Ninguém vai abrir a porta para você. E tendo isto em mente fui andando no meio da água sem parar, mirando o pneu do caminhão a minha frente que abria um rasgo na água por onde eu tentava passar sem me molhar mais.

Hoje eu sei que devo ter passado por pelo menos um posto de gasolina e mais ou menos uma dezena de locais onde poderia me abrigar, mas na hora do aperto eu nem vi nada. Fui seguindo, seguindo até sair na Avenida Antônio Carlos onde a situação era um pouco menos pior e de lá segui para casa para me abrigar numas cobertas “felopudas”, logicamente tirei o resto do dia de folga.

Não foram mais que cinco minutos, e um percurso de mais ou menos uns 5km. Mas serviu para eu saber que sair na chuva forte é fria (vento e água)! A moto aguentou bem, mas pediu um banho no fim de semana, não entrou água nem nada.
Também pude constatar que a Honda fez um belo trabalho nos freios da Bros, pois mesmo estando meio submersos, não perderam a aderência nem ficaram barulhentos. Se entrou água neles foi bem pouquinho.

* Um pequeno esclarecimento sobre a cera na viseira. Eu passo apenas pelo lado de dentro para evitar o embaçado provocado pela própria respiração. Não uso do lado de fora pois a água forma uma lente que atrapalha a visibilidade.

8 respostas para Cinco minutos de terror

  1. Charles disse:

    Já aconteceu comigo também!
    Dia desses encarei um notebook Positivo que travava durante o POST, sem oferecer alternativa para entrar na BIOS ou então passar adiante para bootar o XP… Só funcionava quando queria, e isto raramente.
    Como é de um amigo meu, avisei que NÃO COBRARIA o serviço, e durante semanas fiz diversas tentativas de conserto, começando pela clássica solução de abrir o note e desligar a bateria da BIOS, que ficava bem escondidinha!
    A solução efetiva foi encontrada junto ao fabricante da motherboard (Taiwan) que disponibilizou um upgrade de BIOS para este problema específico. Deu um trabalhão para aplicar o upgrade!
    Sucesso!!! Corri ligar para o amigo e disse: “Venha hoje a noite pegar seu Note! Está ok!”
    Mas… um último detalhe estava faltando: religar a bateria da BIOS, em um local inatingível!
    Tive que tirar todos os parafusos acessíveis e ainda alguns que seguravam o teclado. Mas havia algo impedindo a abertura completa pelo lado do teclado…
    Uma forçadinha de leve no teclado, ouvi um pequeno “cléck” – nada demais, pronto! Resolvido!
    Entrei no Windows para acertar data e hora e… SURPRESA!!!!! Algumas teclas deixaram de funcionar!
    Resultado: para manter meu nome, fui a Santa Ifigênia e comprei (sem ter dinheiro) um novo notebook para reposição!
    N U N C A M A I S !!!!!

    • TonyWalker disse:

      Caralho, vamos lançar a campanha: De graça nunca mais!
      hahahaha, bom pelo menos você ficou com o Notebook, coloque um teclado bluetooth e diminua seu preju!🙂

    • Charles disse:

      PS: O notebook “analfabeto” foi suprido com um lindo tecladinho externo USB que vai ter que acompanhá-lo o resto da vida! Um lixo!

      • TonyWalker disse:

        Aposto que seu amigo nem se deu ao trabalho de considerar um -Ah Deixa pra lá, este positivo é um lixo mesmo…
        Estou certo ou errado?

        • Charles disse:

          Meu amigo ficou desconsertado… Já fazem 5 semanas e nunca mais nossa amizade foi a mesma coisa. Porque será???
          Pense ainda numa época estressante de contenção de gastos e uma esposa acompanhando tudo de perto! Tive que prometer a ela não mais encarar novas aventuras, remuneradas ou não!
          Como não vivo disso, já me contive e consegui recusar outras oportunidades como essas de manter meu “lado técnico” vivo.

          • TonyWalker disse:

            Não sei o que você faz da vida, mas ser técnico de informática é isto mesmo e muitas vezes a gente acaba pagando um preço maior que o serviço. No fim das contas compensa, mas é claro que passamos muita raiva por conta deste tipo de situação.
            Se estiver pensando em seguir carreira não desista, é uma profissão deveras lucrativa e recompensadora (na maior parte dos dias😉 )

  2. raf disse:

    Honda fez bom trabalho?? É piada?

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