O biscoito nosso de cada dia

Ontem foi um dos dias que eu mais odeio no mês, o famigerado dia de fazer compras. Detesto entrar em supermercado, detesto pegar fila, detesto lugar cheio, detesto a fila da carne, detesto tudo! Prefiro nem acordar quando sei que chegou o dia. É preciso muita ameaça para me tirar da cama.

Também tem o fato de que é justamente no supermercado que você deixa a maior parcela do seu dinheiro por mês, cada item que você coloca no carrinho é uma bocada no seu bolso. Hoje entendo a cara de desespero do meu pai quando a gente resolvia “ajuda-lo” a fazer compras. Criança em supermercado deve ser uma merda. Mas naquela época eu era feliz.

Além da cara de horror do meu pai, uma das coisas que eu me lembro também era dos pacotões de biscoito. Não sei nos outros lugares do Brasil, mas aqui em Minas Gerais o biscoito mais vendido sempre foi o da Aymoré, uma fábrica mineira de produtos alimentícios que fabrica os melhores biscoitos recheados, wafers, cream cracker, maizena e o inigualável Salpet.
Pelo fato de nossa família ser de tamanho médio, meu pai sempre comprou os biscoitos em caixas, que imagino deveriam pesar de um a dois quilos. O preço deveria ser bem mais em conta e o suficiente para passar um mês de alegria. Lembro bem das caixas contendo o imponente logotipo de índio que remetia as tribos Aimorés.

Com o passar dos anos fui notando o desaparecimento destas caixas tamanho jumbo dos supermercados, e pior, o próprio tamanho das embalagens vem diminuindo a cada dia mais. É um tipo de inflação gerada pela reversal russa onde o valor do produto diminui sem que o preço diminua também.

Vou dar um exemplo, o biscoito wafer que antes tinha 200g custava R$ 1,15. Um belo dia diminuíram o peso para 180g e preço continuou o mesmo, depois diminuíram para 165g e abaixaram para R$ 0,95 em seguida aumentaram novamente o preço para R$ 1,15. Algum tempo depois tornaram a diminuir para 140g e mantiveram o preço! Ou seja em menos de dois anos houve uma inflação no preço de quase R$ 0,35 (sou burro e não sei calcular os juros da inflação, se alguém souber coloque nos comentários). Sacaram? Parece pouco mas a cada 1000 pacotinhos de delícia eles lucram mais de R$ 350,00. E este é apenas um dos exemplos.

Praticamente todos os produtos no supermercado passam pela mesma lipoaspiração para mascarar os preços. Basta você observar na embalagem uma informação onde está escrito “Novo peso”. O difícil mesmo é encontrar um produto que não a contenha.

O primeiro que observei foi o sabão em pó, mas no caso deles tinha uma desculpa que era porque ele vinha com menos água, e por isto havia a diminuição de preços, mas hoje em dia o peso continua caindo e o preço nada. Água também custa dinheiro meu amigo!

Há ainda um problema mais grave, a informação de diminuição de peso nas embalagens é obrigatória segundo o código de defesa do consumidor e deve estar bem clara e bem visível. Mas notei ontem que duas empresas, a Balduco e a Visconti informam estes dados em inglês. Qualé minha gente! Who speaks english on Brazil?

Concordo que em vias de ter prejuízo a empresa tem que procurar se ajustar, mas na maioria dos casos ocorre um mal disfarçado abuso. Vender um produto com quase a metade do peso sem diminuir o preço chega a ser safadeza.

5 respostas para O biscoito nosso de cada dia

  1. Charles disse:

    Pelo menos aqui em SP os pioneiros neste técnica foram os fabricantes de papel higiênico, diminuindo de 40 para 30 ou 20 metros. Que raiva e indignação eu passei na época!!!

    Atualmente observo a presença de mais açúcar em tudo: chocolates, dôces, sorvetes… Parece que o açúcar é mais barato do que ingredientes mais nobres.

    Você já observou como mudaram o BIS e o Sonho de Valsa de uns anos para cá? Estão quase insuportáveis!

    • TonyWalker disse:

      Putz! É verdade! E não sei se você sabe mas existe uma norma do INMETRO que define que o papel higiênico tem que ter 40m.🙂 Nem mais nem menos.
      Eu costumo comprar uma marca que tem rolos de 60m. E o preço é menor do que muitos de 20m ou 30.

  2. Octávio jorge disse:

    Na minha infância eram as latas gigantes, se comparadas as do tamanho atual de leite ninho, que saudade. Os fabricante na época não haviam ainda descoberto a mágica de se ganhar mais oferecendo menos rsrs…

  3. Octávio jorge disse:

    Aliás, isto aconteceu com praticamente todos os produtos de minha época tais quais, Sucrilhos kellog’s, Neston, maizena etc.

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