Suecas!!! (Ou: Deixa Ela Entrar)

Quando eu tinha lá meus 11 pra 12 anos, a palavra “Sueca” sempre vinha carregada da mais pura luxúria. Isto devido aos famosos filmes e fotos educativos provenientes (supostamente) daquele país.

Minha vida de cachorro O que eu não imaginava (ou queria saber) naquela época era que, o cinema Sueco fosse capaz de produzir obras extremamente cativantes e de inestimável valor cultural, sem desmerecer as esforçadas Suecas da minha infância claro. Os cineastas suecos produzem um tipo de filme com o qual você consegue se conectar, te fazem lembrar ou se imaginar de forma muito natural da sua própria vida e isto é difícil de ver em Hollywood já a algum tempo.

Vira e mexe estou dando de cara com estas obras primas, sendo o pequeno clássico “Minha vida de cachorro” (cujo título original é impronunciável em PT_BR) o responsável por despertar meu interesse nas obras contemporâneas da cinemateca Sueca.

Mas o que me motivou a escrever aqui hoje foi um filme imperdível que vi esta semana. A história é o seguinte, prestenção!
Pré-adolescente se sente muito só e acaba se apaixonando por outro  Pré-adolescente, mas descobre que na verdade trata-se de um vampiro. Mesmo assim não se deixa levar pelo medo e faz de tudo para conquistar seu amor.
Se você achou que eu estava falando de crepúsculo pode acabar de vomitar e continuar a ler pois errou feio.

O filme em questão se chama “Deixa ela entrar” (nome original também impronunciável “Låt den rätte komma in” ok?)  uma obra prima sobre vampiros e a difícil relação destes seres com os humanos já que embora tenham a forma e semelhança do criador um é comida do outro.

Vejamos, quando um filme de vampiro mostra um monstro sanguinário ou mesmo um ser insensível que se atraca a qualquer humano dando sopa, para satisfazer sua sede de sangue ou mesmo para espalhar sua raça mundo afora, temos um filme de terror.
Quando um filme de vampiro mostra um ser cheio de dúvidas e incertezas, sentindo-se deslocado e arrependido por ter que matar para sobreviver temos um romance ou drama.
Quando temos atores inexpressivos e uma história chatérrima e homo-erótica com o casal mais sem sal dos USA temos Crepúsculo/Lua Nova.
Mas quando temos uma história de vampiro que concentra uma boa dose de terror, drama e midgore porém, sendo contado e vivido do ponto de vista de duas crianças, ai temos não só uma obra-prima temos “Deixe ela entrar”!

Deixa ela entrar Baseado num livro de mesmo nome (infelizmente não disponível em português) o filme até que pega leve, já que não deixa explícito as partes envolvendo pedofilia por exemplo, mas nem por isto deixa de chocar em suas cenas mais pesadas.
No filme a história é contada do ponto de vista inocente do seu jovem protagonista, que ameaçado por um grupinho da pesada vai encontrar amizade logo nos braços de uma pequena vampira que se mudou recentemente para um apartamento ao lado do seu, num dos bairros da periferia de Estocolmo.

Oskar sempre apanha dos colegas na escola, e na solidão do seu quarto se imagina esfaqueando os garotos. Comportamento que mais tarde pode acabar se tornando algum tipo de psicopatia. Difícil ver este lado por baixo da aparência inofensiva e calma do garoto, mas bem… todo mundo teve infância.

Já Eli é um personagem fantástico. Foge totalmente do meu padrão, já que meu interesse sempre recai em personagens femininos “fortes mas complicados” como Miss Celie, Rynn Jacobs e Claudia (outra vampira), Eli está mais para uma mendiga maltrapilha que passa fome, do que os vampiros pomposos que encontramos em 99% dos filmes que vemos por ai. O barulho gutural emitido por seu estômago, pode causar tanto medo quanto pena, já que é um indicativo indubitável de que ela está com fome, porém você não pode convida-la para entrar e jantar ou se arrependerá.

Além disso Eli guarda um segredo importante que embora dito explicitamente no filme (e até mostrado por um milésimo de segundo) não é muito explorado nem explicado como no livro, e não vou conta-lo aqui para não estragar a surpresa, mas se você não conhecer o livro poderá ter diversas interpretações sobre ele.
Apesar da aparência juvenil, Eli tem centenas de anos, e seu comportamento oscila bastante, sendo as vezes mostrada como uma mulher adulta e experiente que dá concelhos ou ordens e, as vezes como uma simples criança que se deixa apaixonar e levar pelo pequeno Oskar o provável substituto do homem que acompanha Eli como se fosse seu pai.

Ótimo filme e recomendo a todos. Esqueça “Lua Nova” e gaste seu dinheiro com um romance de vampiros de verdade.

Trailer:

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