Besouro – O trailer ficou melhor que o filme

A muitos meses tenho esperado ansiosamente para assistir a mais nova e cara diga-se de passagem, produção do cinema brasileiro, intitulada “Besouro – o filme”. E mal estreou aqui em BH fui correndo com a esposa a tira-colo (ela inclusive é ex-capoeirista) ver como era o tal bisôro que avua. Por coincidência encontramos lá meu cunhado (também ex-capoeirista) e sua esposa, na fila para comprar o ingresso.

Este encontro bem inusitado (meu cunhado não curte salas de cinema) demonstra que o filme tem causado tamanha comoção no meio capoeirista que mesmo as críticas ruins não irão atrapalhar seu sucesso, mas devo dizer que para mim foi uma decepção. Sai do cinema com a sensação de quero-mais, mesmo sabendo que este “mais” não vai acontecer, o que é bem chato. Pffuu…

Iansã Eu podia colocar a foto do Besouro, mas prefiro a Iansã!

Pra quem está meio por fora, vamos as explicações. Manoel Henrique Porteira, mais conhecido como Besouro Mangangá, foi um lutador de capoeira, negro e bahiano que viveu no início do século passado e que lutava ativamente contra a escravidão que ainda persistia naquelas bandas por força do coronelismo (mais ou menos como hoje). Suas habilidades na luta lhe renderam a fama de que conseguia voar e que também teria o corpo fechado contra qualquer tipo de arma de fogo ou ferro. Causou tantos problemas que foi cassado até a morte. Mas ainda hoje é reverenciado nas músicas e nas danças das rodas de capoeira.

Grande parte do sucesso de um filme pode estar em seu trailer, que bem feito pode arrebatar multidões, e no caso do Besouro foi justamente isto que aconteceu. Eu vi inclusive uma versão sem efeitos especiais finalizados onde se podia ver claramente os fios que levantavam os atores.
O trailer prometia muitas lutas sensacionais, coreografadas por um dos mestres da área Hiuen Chiu Ku, com filmes como “Matrix” e “O tigre e o dragão” no currículo (ele foi só um assistente nestes filmes, mas quem se importa) e principalmente muita cultura afro-brasileira, com direito a orixás fazendo ponta de mestres Shaolin do herói (Orixás+Shaolin=Orixáolin? néé… não ficou tão legal quanto eu pensei).
Numa das cenas do trailer, Besouro enfrenta um inimigo muito poderoso, e ao indagar de quem se tratava, a resposta era de gelar a espinha: – Exu!

Estranhamente o filme não entregou tudo que prometia, ficando muito no fala-fala e devendo nas cenas de luta. Inclusive em algumas partes ficou pior que no trailer. Nas cenas com o Exu por exemplo, o filme ganhou uma dublagem horrível no pior estilo Rodrigo Santoro em “300”. A voz original do ator no trailer era bem melhor.

Eu fui lá pra ver o bicho pegar na capoeira, mas o que eu vi foi um romancezinho estilo novela das seis, e um Besouro muito cheio de falsa-marra e antipatia. Se tentaram criar um super-herói brasileiro, falharam feio. A pose de Wesley Snipes não ficou legal. Tanto que para mim a melhor cena (também está no trailer) é aquela em que o ex-amigo derruba Besouro e pede “- avúa ai pra mim vê”. Isto é errado! O público tem que se identificar com o herói, se não a coisa desanda.
Escolha errada dos atores? Talvez fosse mais fácil treinar um bom ator na capoeira, que treinar um capoeirista na arte de atuar, sei lá. Mas os atores amadores poderiam ter sido mais bem explorados, pois isto não é desculpa para má interpretação, vide “Cidade de Deus”.

Enfim, o filme ficou morno, quando deveria ser quente. Os efeitos especiais foram gastos nos lugares errados e as cenas de lutas que são poucas não mostraram tudo que a capoeira tem para oferecer, mistura-la com estilo Shaolin foi um erro fatal. De 1 a 5 eu daria 2 e ainda está de bom tamanho. Mas recomendo o filme mesmo assim.

Trailer:

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