Uma vez comigo, para sempre com mais ninguém

Eu juro, uma vez um namorado da minha irmã escreveu para ela uma música com o título “Uma vez comigo, para sempre com mais ninguém”.

Foi motivo de chacota por anos a fio, mas breguices a parte, é uma situação bem recorrente na minha vida. Uma vez que tenha estabelecido uma relação de confiança com determinada marca dificilmente consigo mudar. É uma característica minha claro, mas algumas vezes a qualidade ou funcionalidade dispensada num produto acaba por nos conquistar de tal forma que é mesmo difícil trocar por outra marca ou modelo ainda que mais novo.

Um destes casos é a Palm, antiga fabricante de Handhelds e Smartphones e meu primeiro contato com este mundo.

A uns anos atrás tive uma oficina de manutenção de computadores e o então meu sócio adquiriu um Palm Tungsten E.
O cara pirou no negócio, ficava o dia todo brincando com a canetinha (ui!) ou escutando as três únicas MP3s que cabiam na memória interna do TE (depois ele comprou um cartão de 64M onde cabiam incríveis 12 músicas).

Na época achei uma boiolisse, pois tudo que o Palm (dele) fazia o meu Nokia 3100 também fazia muito bem, guardava contatos, lembrava compromissos, e tinha alguns joguinhos, e a despeito da tela gigante (para a época) o Palm pareceu para mim uma inutilidade.

Alguns meses depois, ao fazer um serviço para uma empresa de engenharia descobri uma sala onde haviam umas vinte caixas de Palmtops M100 e M105 empilhadas em um canto. Eles me informaram que haviam usado estes aparelhos por um tempo em um serviço de campo e que agora não tinham mais serventia para a empresa. Como eles estavam vendendo baratinho resolvi ficar com um, na verdade previ (sabiamente) que iria tomar um calote e resolvi me garantir pois não tinha mesmo o menor interesse.

Antigo Palm M105
Antigo Palm M105

Chegando em casa, comprei duas pilhas AA que eram a única forma de alimentação do aparelho e comecei a fuçar. O modelo que eu escolhi era o M105 que era praticamente o mesmo M100 porém com memória de 8MB ao invés de 2M e também possuía uma base com conector USB (o M100 usa um cabo serial).

Dei uma olhada na internet em busca de informações e escobri que o aparelho tinha simplesmente programas para tudo que eu imaginasse, de jogos a programas de escritório. Uma diversidade somente comparada a um computador Desktop, coisa que não existia nos celulares. Celulares na época quando muito tinham joguinhos simples.

Lembro que no primeiro dia baixei o Bejeweled e fiquei quase a noite toda jogando com minha esposa (na época namorada) e inclusive logo depois comprei da empresa um M100 para ela.

O M105 mudou minha vida para melhor, e isto fez com que eu me apaixonasse pela marca. Nunca mais levei tabelas amassadas na mochila, nunca mais precisei pedir para ver meus e-mails no computador dos outros, nunca mais arrebentei minha cabeça nas janelas dos ônibus, pois nunca mais cochilei dentro de um lotação. Quanto mais eu mexia no aparelho mais funcionalidades eu descobria e mais dependente dele eu ficava.

Nem tudo eram flores, pois caso a pilha acabasse você perdia tudo que havia gravado na memória, e o aparelho travava muito, o que me obrigava a dar vários resets por dia. Por isto era importantíssimo sincronizá-lo com o computador de casa sempre que possível. Mas mesmo assim valia a pena.

Depois deste M105, ainda comprei um Palm Zire (M150), um Tungsten E (com tela colorida igual ao do meu sócio) e por último um Treo 650.
Com o tempo, vendi o M105 a um amigo, o Zire vendi no mercado livre e ainda possuo o M100 que está com minha sogra.
Ficaram comigo, o Tungsten E que doei para minha esposa e agora habita a gaveta, e o Treo 650 que ainda não consegui largar embora tenha um HTC Kaiser com Windows mobile

Palm Treo 650 com uma case preta e Tungsten E
Palm Treo 650 com uma case preta e Tungsten E

Não consigo largar o Treo por quatro motivos:
– Como Smartphone é insuperável, coisas bobas como gravar ligações (com programas de terceiros), a forma simples de salvar ou procurar contatos e compromissos e a quantidade de utilitários é única.
– O processador me permite ver filmes salvos no cartão sem precisar de conversão, e jogar emuladores não dá muita dor de cabeça.
– O teclado apesar de pequeno cabe perfeitamente na minha mão e é muito fácil usar acentos e números. O Palm OS usado nele foi adaptado de forma que só preciso usar a caneta se quiser ou nos programas de terceiros. Praticamente tudo pode ser feito através do direcional e com uma única mão.
– A bateria dura como deveria durar a bateria de um Smartphone, nem tanto quanto um celular simples, nem tão pouco como a dos Smartphones mais novos.
Uma vez numa viagem de três dias, esqueci o carregador e mesmo assim consegui utilizar o telefone e a internet GPRS com moderação, só acabando mesmo a bateria quando já estava chegando em casa.
No meu Kaiser novinho, a bateria não dura nem um dia direito se eu usar a internet ou o GPS.

O Kaiser é um ótimo aparelho, completo em todos os sentidos, mas a dificuldade que tive ao mudar de sistema foi enorme, achei o Windows Mobile um lixo. E só comprei o Kaiser mesmo porque precisava de um bom GPS, e acesso ao Logmein, um programa de controle remoto que só tem versão móvel para Windows Mobile.

Mas vamos ser sinceros a Palm vacilou. A anos que ela relançava o mesmo produto apenas com mais memória e não atualizava o sistema ou mesmo fazia qualquer tipo de melhoria significativa. E nós otários fãs da marca continuávamos comprando. Mas apesar de gostar da marca, seus últimos lançamentos já com Windows Mobile, me fizeram entrar na lista das pessoas que estavam reservando o terno preto para ir ao enterro da empresa. O buraco da Palm já estava cavado para mim.

No entanto tive uma imensa alegria ao ver o novo lançamento da empresa, o Palm Pre. Sério! Fiquei meio que chocado com o vídeo promocional no site deles, porque é como ver o renascimento da marca, com altas chances de retomar a liderança que já foi dela. E embora o vídeo (chamdo de “Meet Pre” ) não mostre praticamente nada de importante, ele parece mostrar como a Palm deve ter trabalhado sério nestes meses (anos?) em que esteve escondendo jogo.
O Pre, é um Smartphone bacana, completo de recursos e aparentemente tão inovador quanto os primeiros Palms.

Palm Pre - De volta a briga
Palm Pre – De volta a briga

Ja vi que vai entrar para a lista de desejos tardiamente realizados, pois certamente comprarei o aparelho um dia. Se for uma bomba não importa, ele é cool, é inovador e me chamou muito a atenção. E como já dizia a música… uma vez com eles, para sempre com mais ninguém.

Novo vídeo que entrou no ar a alguns dias:

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